Calos de apoio em cães são um problema?

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Quando fazemos um trabalho manual repetidas vezes, como limpar a casa ou varrer o quintal, por exemplo, acaba por criar calos em nossas mãos nos pontos de maior contato com os equipamentos ou ferramentas utilizados não é mesmo?

Os nossos calos incomodam e doem muitas vezes, mas geralmente não são um problema que nos levam a procurar um médico. A formação dessa calosidade acontece justamente para amortecer a nossa pele e evitar que ela se abra ou forme bolhas.

Da mesma forma que acontece em nossas mãos, as calosidades que se formam nos nossos cachorros geralmente são inofensivas, a menos que elas rachem, infeccionem ou ainda que percebamos que estão causando dores neles.


Porque os cães têm calos, principalmente nos cotovelos?

Conforme explicamos acima, a formação de calos de apoio é uma resposta normal da pele do cão para proteger um local que é submetido a uma pressão repetida e continuada. Basicamente, o calo ajuda a proteger os ossos protuberantes da pressão de se deitar no chão.

Os cachorros adoram ficar deitados, não se importando muito com a superfície que está sob eles. Quanto mais duro for o piso em que ele está deitado e quanto mais pesado for cão, maior será o dano sofrido pela pele nos locais de contato com esse piso duro.

É justamente em função disso que se formam os calos (hiperqueratose) e também é por isso que eles geralmente estão localizados nos cotovelos, onde o osso está mais perto da pele, onde há pouca gordura e onde os contatos são mais frequentes.

Se você tem um cão de porte grande, certamente já percebeu a “delicadeza” com que ele se deita no chão, a função dos calos é justamente essa, protegê-lo desses impactos. Os calos começam com a queda dos pelos, depois a pele começa a engrossar e ficar rugosa nos pontos ósseos de pressão contra o solo.

Apesar de geralmente os calos estarem localizados nos cotovelos ou outras articulações, não é raro encontrar cachorros pesados, e que costumam deitar em superfícies duras e rugosas, com calos no tórax e no jarrete (parte externa do quadril).

Com o decorrer do tempo, os calos são difíceis de passarem despercebidos, principalmente em cães de pelagem mais clara. Cães grandes e pesados que costumam deitar em pisos de madeira, pisos de cerâmica e pisos de cimento sempre acabam formando calosidades em alguma região do corpo.

Os calos ficam ainda mais acentuados e chamativos em cães que tenham acesso a pisos duros nos meses mais quentes do ano, quando eles preferem trocar suas camas macias – porém mais quentes -, pelos pisos duros, que quase sempre são mais frios. Quanto mais duro e áspero o piso, maior a fricção na pele e, consequentemente maiores e mais espessos serão os calos formados.

Obviamente, pelo que descrevemos acima, os cães de raças grandes e gigantes são os mais suscetíveis às calosidades, por serem mais pesados e por ficarem muito tempo deitados em superfícies duras ou ásperas. Isso acontece também com os cães sem raça definida que sejam grandes – apesar de serem poucos os cães “vira-latas” que sejam grandes.

Embora possa parecer que cães fofinhos e gordinhos tenham mais acolchoamento e, portanto, estejam mais protegidos das calosidades, isso não é o que ocorre. Das raças mais populares, as que são mais suscetíveis à formação de calosidades nos cotovelos são: Dinamarquês; Mastim; Labrador; Golden Retriever; Basset Hound; Boxer; Buldogue; Rottweiler; Weimaraner; São Bernardo; Pastor Alemão e Fila Brasileiro.

Em resumo, os fatores determinantes para a formação dos calos é o porte e o peso do cão e a fricção da pele com solos duros. Se você tem cães de vários portes em casa, observe que os pequenos e leves dificilmente apresentam calosidades.

Os cães gordos de qualquer porte, assim como os cães doentes ou idosos também são mais propensos a formação de calosidades, porque passam muito mais tempo deitados que os cães mais jovens e saudáveis. Além disso, as articulações dos cães idosos e doentes são mais proeminentes devido ao desgaste muscular da falta de exercícios.

Geralmente essas calosidades não exigem nenhum tratamento, mas se você quiser minimizá-las, elas podem ser hidratadas para ficarem com um aspecto melhor e prevenir possíveis complicações. Um outra medida profilática é prevenir o problema proporcionando uma mudança comportamental nesses cães, oferecendo lugares mais macios para se deitarem.

Os calos oferecem algum risco para a saúde do cachorro?

Pelo que explicamos acima você deve ter concluído que as calosidades não são um problema e é isso mesmo, os cachorros podem conviver com esses calos pela sua vida inteira sem apresentar nenhum problema de saúde.

O que pode acontecer, e é por isso que precisamos ficar atentos a esses calos, é alguma evolução para um problema que seja consequência de sua existência.

Geralmente pelos calos se formarem em uma região do corpo com pouca ou nenhuma sensibilidade o cachorro não sente dores ao friccionar essa região. Portanto, caso haja algum machucado no calo justamente em função dessas fricções – e isso é comum de acontecer -, precisamos tratá-lo precocemente para evitar a formação de escaras, rachaduras, sangramento e até mesmo úlceras dolorosas e infecções.

Portanto é muito importante inspeções rotineiras nessas áreas em um momento de carinho ou no banho. As escaras que podem se formar em um calo machucado se não tratadas a tempo, podem formar bactérias e evoluírem para feridas maiores e infecções graves. Isso é comum de acontecer? Não, mas não custa nada prevenir não acha?


O que fazer para diminuir as calosidades em cães?

Muitas pessoas não se importam com as calosidades que se formam em seu melhor amigo peludo, porém há quem fique preocupado, não gosta da aparência dos calos ou ainda fica em dúvida se esse é um processo normal ou se pode ser patológico, conforme explicamos acima.

Se o se cão já está está apresentando calosidades e você quer evitar que elas aumentem, selecionamos algumas ações que podem ajudar.

A primeira medida é controlar o peso de seu amigo peludo. Sim, se essa é uma das causas da formação dos calos é mais um motivo para você manter seu cão saudável e longe das guloseimas que só o fazem engordar. A melhor forma de manter seu cão saudável é alimentação adequada e exercícios diários.

Outra medida importante é reduzir a possibilidade da formação dos calos oferecendo locais macios e frescos para ele deitar e tentar evitar que se deite em superfícies duras e ásperas.

Algumas pessoas procuram amolecer os calos para evitar que eles rachem aplicando um creme hidratante, ou um óleo, ou ainda vaselina. Se você quiser fazer isso também, procure esfregar bem para uma absorção total e evitar que o cão lamba imediatamente, eliminando o seu efeito.

Entretanto, amolecer um calo não o fará desaparecer nem diminuir, além disso, fazer isso pode aumentar o problema, pois, conforme explicamos acima, os cachorros praticamente não sentem dor nessas regiões e o fato do calo ficar mais macio pode aumentar a possibilidade de machucar ou sangrar.

Existem cotoveleiras para proteger essas regiões, mas a maioria dos cães não se adaptam a elas, além disso elas diminuem a circulação e diminuem a mobilidade.

Preciso levar meu cão ao veterinário por causa dos calos?

Geralmente não é necessário levar um cão que esteja desenvolvendo calosidades ao veterinário, pois, conforme explicamos acima, elas não incomodam o cachorro em situação normal. Porém, também conforme explicamos, se houver alguma consequência proveniente do calo, o veterinário deve sim ser consultado antes que o problema se agrave.

As calosidades normais não produzem líquido nem sangue, são secas. Se você perceber qualquer situação diferente disso, consulte um veterinário imediatamente. Observe também se seu cão parece ter dor ao bater esses calos no chão, isso pode ser sinal de algum problema escondido.

Os calos também podem ser confundidos com bolhas com líquidos ou outra protuberância, por isso mesmo a atenção permanente é necessária.


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