Como usar as ervas daninhas para analisar a saúde do solo do gramado

Você sabia que é possível utilizar as ervas daninhas para analisar a saúde do solo do nosso quintal? Segundo Clint Waltz, especialista em gramados, as ervas daninhas (também conhecidas como inços ou matos) do nosso quintal estão sempre tentando nos dizer alguma coisa.

Não existe uma erva daninha boa, essa é a conclusão que se chega após conversar com Clint Waltz sobre cuidados com o nosso gramado. É possível entender o ponto de vista dele após ouvir a sua “extravagante” definição de erva daninha.

“Para mim, uma erva daninha é uma planta que compete por luz, água, espaço e nutrientes”, diz Waltz, especialista em extensão de grama do Centro de Pesquisa e Educação em Gramados da Universidade da Geórgia, em Griffin, Geórgia, EUA. “Então, se há uma espécie desejável e há outra espécie que está competindo com ela por luz, água, espaço e nutrientes, então essa planta é uma erva daninha. É uma praga.”

Há também algo mais sobre as ervas daninhas que, segundo Waltz, ajuda a defini-las.

“Ervas daninhas são plantas oportunistas. Essa é uma das minhas definições favoritas de uma erva daninha. Se a grama não está crescendo ativamente e as condições ambientais são mais favoráveis ​​para outra espécie vegetal, essa espécie encontrou um nicho ambiental que pode ocupar e tirar proveito.”

Portanto, quando se trata do nosso gramado, se quisermos seguir as orientações desse especialista, devemos pensar da seguinte forma: se você tem um gramado em que plantou uma determinada espécie de grama, a única espécie desejável é aquela plantada. Qualquer outra planta que crescer em meio a este gramado é uma erva daninha. Se você plantou bermuda, por exemplo, a única coisa que você quer ver crescer nesses gramados é a grama bermuda. Se nascer outra espécie, mesmo que de grama, ela é uma erva daninha para o especialista.

Mesmo que as ervas daninhas sejam um inimigo para as pessoas que pretendem se orgulhar de ter um gramado perfeito, não devemos condená-las muito rapidamente. Waltz também quer que você saiba que as ervas daninhas podem servir a um propósito benéfico, como “plantas indicadoras”. O que eles podem indicar é um problema no solo ou acima do solo, no próprio gramado. Segundo ele, saber como “ler uma erva daninha” apenas olhando para ela e identificando-a lhe dará uma boa ideia do que está acontecendo em seu solo ou em seu gramado.

Simplesmente observando as ervas daninhas, por exemplo, é possível determinar se o solo é muito alcalino ou muito ácido. Para confirmar essa suspeita você pode coletar amostras de solo e enviá-las para uma análise especializada. As amostras de solo podem também revelar algo mais sério sobre as condições do solo. Ele pode, por exemplo, conter nematoides – vermes microscópicos que comem as raízes da grama. Também é possível descobrir apenas olhando para as ervas daninhas que a grama esteja com algum problema de insetos, parasitas ou doenças.

Mas, como ler uma erva daninha?

As ervas daninhas do gramado se dividem em duas grandes categorias: ervas daninhas de folhas largas e simplesmente ervas daninhas. Ervas daninhas de folhas largas geralmente são mais fáceis de reconhecer porque, como o próprio nome indica, elas têm uma haste que geralmente produz folhas largas freqüentemente em pares ou grupos. As exceções são ervas daninhas, como dentes de leão, que têm apenas uma única folha. Em suma, uma erva de folha larga não se parece com a grama, que é o que às vezes pode dificultar o reconhecimento de ervas daninhas – à primeira vista, essas ervas parecem grama.

Listaremos abaixo algumas ervas daninhas de folhas largas e gramíneas mais comuns no Brasil, que, segundo Waltz, são mais prováveis ​​de aparecer em gramados caseiros, bem como identificá-las e os problemas que elas podem indicar.

Euphorbia prostrata

Popularmente conhecida como quebra-pedra ele cresce com facilidade em solos muito compactados e com pouco espaço, como rachaduras em calçadas e estacionamentos, por isso esse nome popular.

Rasteira, vigorosa e com folhas largas ela é encontrada em gramados recém plantados.

Se ela aparecer em seu quintal, isso pode indicar a necessidade de aeração do solo. Mas também pode indicar a presença de nematoides que podem ser perigosos e muito prejudiciais para culturas hortícolas entre outras.

Poa annua

Também conhecida como cabelo-de-cão, a poa annua é verde clara e cresce em tufos aglomerados. Pode se espalhar facilmente pelo gramado e nasce em solos rasos porque suas raízes não precisam de muito espaço.

Sua presença indica, também neste caso, a necessidade de arear o solo.

Oxalis stricta

Cresce tanto em áreas ensolaradas como na sombra. É uma erva daninha de folha larga com três folhas em forma de coração que produz flores de várias cores, como amarelas, roxo ou rosa. São conhecidas popularmente como trevinhos ou azedinhas. Sua presença pode indicar baixa fertilidade do solo, o chamado solo pobre, sendo portanto necessário consultar um especialista para saber qual o nutriente faltante no solo e enriquecê-lo.

Como escrevemos acima, essas são algumas das ervas daninhas comuns de serem encontradas no Brasil que podem nos dar dicas sobre o solo, existem muitas outras, se estiverem aparecendo repetidamente em seu jardim as mesmas ervas daninhas, recomendamos pesquisar sobre as causas do seu aparecimento. Na matéria completa feita com Clint Waltz no site mnn existem outros exemplos de ervas daninhas que não são comuns aqui no nosso país.

Mas algumas regras são feitas para serem quebradas

Waltz reconhece que não há regras rígidas sobre ervas daninhas como plantas indicadoras de problemas no solo, elas servem apenas como diretrizes. “Quando você vê as ervas daninhas, isso desencadeia outra coisa a considerar sobre o motivo pelo qual o gramado pode não estar saudável como deveria e indicar onde você pode ajustar ou resolver um possível problema.”

Se você se deparar com um oxalis em seu gramado, por exemplo, ele disse que você pode querer retirar uma amostra do solo, enviá-lo para análise e verificar se realmente precisa fazer uma aplicação de nitrogênio. “Infelizmente”, diz ele, “apenas aumentar a fertilidade nem sempre livra das ervas daninhas. Essa não é uma estratégia herbicida. É apenas um indicador de que a erva daninha é mais competitiva naquele solo do que a própria grama. Volta para a definição de uma erva daninha – ela está competindo por luz, água, espaço e nutrientes “.

Fonte: MOTHER NATURE NETWORK

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