Queimaduras domésticas – como proceder

Acidentes acontecem, você sabe como agir quando ocorrem queimaduras domésticas? 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras, cerca de um milhão de brasileiros se queimam todos os anos, 80% desses casos acontecem em casa e metade deles na cozinha pelo derrame de líquidos em alta temperatura. Cerca de 30% dos casos ocorridos em casa acontecem com menores de 12 anos e as crianças na faixa etária de 1 a 5 anos é a que mais sofrem acidentes domésticos desse tipo.

Esses números são muito significativos e trazem consigo um segundo problema. A maioria das pessoas não sabe como agir nessa situação, ou pior, adota medidas que só a agravam, com soluções caseiras totalmente inadequadas. Em função dessa situação, que ocorre cotidianamente em nossas casas, convidamos um especialista para orientar sobre a melhor forma de agir em cada caso de queimadura doméstica.

Lembre-se sempre que a melhor atitude é sempre prevenir acidentes domésticos, após a leitura do artigo abaixo, sugerimos também a leitura do texto “Sua casa é segura para crianças?” que publicamos aqui no blog “Lar, Doce Lar”, porém, por mais cuidados que tomemos, eles nem sempre são suficientes e os acidentes acabam acontecendo, conosco ou com nossos familiares. Em caso de queimaduras, como devemos proceder?

Queimaduras domésticas – como proceder

Por: Dr. Antonio Greca Born

Queimaduras são acidentes muito comuns em casa, quer sejam por líquidos quentes, superfícies quentes ou mesmo por fogo. Devemos tomar muito cuidado com esses tipos de ferimentos, pois se tomarmos medidas erradas podemos piorar ainda mais a situação.

As queimaduras são divididas didaticamente em 3 tipos, dependendo da profundidade que ela atinge. As queimaduras de primeiro grau são as mais superficiais, pois acometem somente as camadas mais superficiais da pele, ou seja, a epiderme. São a grande maioria das queimaduras solares e das queimaduras domésticas – apresentam-se apenas com dor e vermelhidão local. São lesões que curam com bastante facilidade, apesar de serem bastante dolorosas, principalmente logo que acontecem. A primeira coisa a ser feita nestes casos é a lavagem da área com água fria, da torneira mesmo. O resfriamento da pele afetada tem por objetivo diminuir rapidamente a temperatura do local, cessando o processo. A temperatura fria da água já causa um alívio importante da dor, apesar de termos a impressão de que ela piora quando retiramos a área afetada de baixo da água. A dor é temporária, e logo melhora, depois de alguns minutos em temperatura ambiente. Pode-se usar óleo mineral ou vaselina líquida para melhorar a hidratação da área afetada. Nunca coloque outras substâncias, como manteiga ou pasta de dente em uma queimadura, pois você pode piorar mais ainda a situação.

As queimaduras de segundo grau são as queimaduras com bolhas. Elas atingem também a camada média da pele, a derme. Podem ser divididas em segundo grau superficial e segundo grau profundo. As superficiais podem ser tratadas em casa, e as profundas precisam de acompanhamento médico para sua total cicatrização. Também são acompanhadas de dor e vermelhidão local, assim como as de primeiro grau. Devemos tentar manter as bolhas intactas, pois aquele líquido dentro delas é estéril, e se conseguirmos mantê-las, diminuímos as chances de infecção. A manutenção da integridade das bolhas diminui a dor e permite que a pele que está por baixo já comece a se regenerar, fazendo com que, quando a bolha se romper, já tenhamos uma pele mais saudável por baixo. O tratamento das queimaduras de segundo grau já envolve o uso de cremes antibióticos, onde o mais utilizado é a sulfadiazina de prata, que pode ser comprada com facilidade nas farmácias. Curativos fechados podem facilitar a manutenção das bolhas, e devem ser trocados uma a duas vezes por dia.

Já as queimaduras de terceiro grau normalmente exigem internação do paciente, pois ocorre uma grande perda de água através da ferida, o que pode levar a desidratação e perda da função dos rins. Felizmente são as mais raras de todas. Acometem todas as camadas da pele, e geram uma coagulação total das proteínas locais, o que faz com que a pele morra por completo naquela área. Esta pele morta vai se transformar numa grande crosta preta – a placa necrótica. Por atingir todas as camadas da pele, temos a queimadura também das terminações nervosas do local afetado, o que faz com que sejam queimaduras indolores. Não sentimos nada pois até os nervos foram queimados! São ferimentos muito complexos, e frequentemente necessitam de cirurgias para retirada da área de necrose. Após a retirada da necrose se espera o início do processo de cicatrização, quando o organismo começa a produzir um tecido avermelhado bastante sangrante na área afetada. Este tecido é chamado de tecido de granulação, e é sobre ele que podemos colocar enxertos de pele para que a cura da ferida ocorra de maneira mais rápida.

As queimaduras de espessura total (terceiro grau) geralmente são acompanhadas de uma retração da área afetada. Isto ocorre porque, de uma maneira muito sábia, nosso organismo tenta diminuir a quantidade de cicatriz a ser formada, contraindo a ferida. Com esta contração o nosso corpo consegue curar as lesões mais rapidamente, mas a custas de deformidades, principalmente se for em região de articulações. Imagine uma queimadura na parte de dentro do cotovelo – uma retração cicatricial nesta área pode fazer com que não consigamos mais estender completamente o antebraço. Estes casos precisarão ser tratados com novas cirurgias com rotação de retalhos de pele locais ou novos enxertos para sua correção.

Pacientes com queimaduras de segundo e de terceiro grau devem receber a vacina contra o tétano.

Deve-se ter muita atenção para as queimaduras no rosto, pois a mesma alta temperatura que provocou a lesão externa também pode ter sido aspirada e ter causado uma queimadura no interior das vias aéreas. Deve-se sempre levar estes acidentados para o hospital o mais rápido possível. Devemos proceder da mesma forma com as queimaduras das mãos, dos pés e da genitália, que precisam de tratamento hospitalar, assim como as queimaduras por eletricidade ou por substâncias ácidas, pois elas podem ser muito piores do que parecem à primeira vista.

Dr. Antonio Greca Born é Cirurgião Plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

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