Será que os cachorros já nascem prontos para se comunicar com as pessoas?

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Todas as pessoas apaixonadas por cachorros e que os tem como melhores amigos já experimentaram a telepatia existente entre elas e seus melhores amigos.

É o chamado sexto sentido dos cães que os faz perceber quando uma pessoa está triste e precisando de um aconchego e que, até mesmo, possibilita muitas vezes que eles se antecipem aos seus comandos.


Porém, uma pergunta que intriga muitas dessas pessoas, é: como os cães se tornaram tão eficientes em se comunicar com os seres humanos?

Em busca de respostas para essa pergunta, surgiu mais um estudo que testou e colocou à prova as habilidades de comunicação dos filhotes de cães conosco.

Esse estudo – publicado na plataforma ScienceDirect, que reúne cerca de 2500 revistas científicas e mais de 26000 e-books – foi desenvolvido pelo Arizona Canine Cognition Center da University of Arizona e a conclusão que chegou é que encontrou a explicação.

Os pesquisadores submeteram 375 cachorros de oito semanas de idade a quatro testes, procurando saber se até mesmo esses cachorrinhos tão novos já eram receptivos à comunicação humana.

Para garantir a eficiência da pesquisa, foram submetidos à ela somente filhotes de cães que nunca haviam passado uma quantidade significativa de tempo interagindo com humanos até então. Esses filhotes passaram seus dois primeiros meses de vida unicamente aninhados com suas mamães e irmãos.

A hipótese do estudo era que, se cães tão jovens e com pouco convívio com seres humanos fossem capazes de se sintonizar com a forma de comunicação humana, essa comunicação já deveria existir fisicamente conectada, em vez de ser aprendida.

Como foram realizados os testes?

Inicialmente os pesquisadores colocaram dois copos diante de cada cãozinho, certificando-se de que os dois copos cheiravam a petiscos. Fizeram isso para que os filhotes não pudessem apenas seguir seu faro na escolha do copo.

Os pesquisadores então encarregaram os filhotes de encontrar um petisco escondido em um dos dois copos. Eles concluíram que esses cães eram capazes de seguir para o copo certo tanto quando um pesquisador apontou para ele, como quando um pesquisador colocou um bloco amarelo perto do copo correto.

Os cães encontram o petisco em uma média de 67% das tentativas para ambas as formas de direcioná-los, isso é significativamente maior do que os 50% que se esperaria por pura sorte.

Cada cão completou cada uma das tarefas 12 vezes e os pesquisadores observaram que eles não melhoraram seu volume de acertos ao longo dos testes, confirmando, portanto, que esse comportamento não é aprendido, mas inato aos cães.

Em seguida, os pesquisadores realizaram dois novos testes para descobrir a probabilidade de os filhotes fazerem contato visual com humanos, ou olharem para seus rostos.

A primeira pergunta a ser respondida: qual é a probabilidade dos filhotes olharem para o pesquisador quando solicitados?

Para isso, os pesquisadores falaram com os filhotes utilizando a chamada “dog-directed speech”, linguagem dirigida aos cães, técnica que os seres humanos costumam adotar quando falam com um animal ou um bebê, mudando a estrutura das frases, encurtando-as e simplificando-as, além de adotar um tom de voz mais agudo.

Ao falar dessa forma por 30 segundos, os pesquisadores perceberam que os filhotes fizeram contato visual com eles durante 6 desses 30 segundos, sugerindo que eles realmente estavam interessados ​​nas tentativas dos pesquisadores de comunicar-se com eles.

Estudos anteriores demonstraram que os cães mais velhos prestam ainda mais atenção à linguagem dirigida aos cães, sugerindo que, embora esse interesse seja inato, os cães também aprendem a se envolver mais com o ser humano à medida que envelhecem. Nossos cães sabem perceber muito bem quando estamos falando com eles.

Por fim, os pesquisadores testaram a probabilidade de os filhotes de cães procurarem os humanos por conta própria, isso foi feito por meio de um teste conhecido como “unsolvable task” (tarefa insolúvel).

Os filhotes receberam um petisco lacrado em uma caixa transparente e foram monitorados enquanto tentavam acessá-la. Testes anteriores mostraram que, embora os lobos não procurem os humanos em busca de orientação para resolver essa situação, os cães adultos costumam fazê-lo.

Nesse teste, os filhotinhos ficaram em uma posição entre os dois extremos, comportamento de cães adultos e lobos. Segundo a pesquisadora chefe do estudo, Dra. Emily E. Bray, “Eles fazem contato visual, mas apenas por cerca de um segundo, durante o teste de 30 segundos. Portanto, é possível dizer que a tendência de pedir ajuda está lá, está presente, mas não é muito forte”.

A Dra. Bray compara essa tendência às crianças humanas, que são receptivas à orientação de adultos desde muito jovens, mas demoram mais para buscá-la por conta própria.

A conclusão dessa etapa do estudo foi que eles já nascem prontos para se comunicar com os humanos sim, pois os cães exibem habilidades sociais e interesse em rostos humanos por volta de 8 semanas de idade sem contato anterior.

Além disso, fatores genéticos são responsáveis ​​por quase metade da variação nas habilidades sociais dos cães e os filhotes usaram com sucesso os gestos humanos para se comunicar desde o primeiro teste. Mas ainda faltava uma resposta no estudo. Porque os cães nascem assim?

Os cães foram criados para conversar com humanos?

Essa é uma discussão muito antiga, saber como os cães se tornaram tão adequados para a companhia e a comunicação com as pessoas.

Embora seja há muito razoável supor que os humanos da antiguidade selecionaram e criaram cães justamente por suas habilidades comunicativas, essa nova pesquisa é uma nova peça vital no quebra-cabeça.

Em busca da resposta, os pesquisadores não pararam o estudo nas habilidades médias dos filhotes, eles também estudaram as habilidades individuais de cada um deles, baseados na história genética detalhada disponível sobre eles.

Essa parte do estudo revelou que as habilidades de comunicação com humanos de qualquer cão são de até 40% herdadas de seus pais e da sua linhagem, o que é uma taxa extremamente alta para uma característica hereditária.

Diante dessa conclusão, não é muito difícil entender como os cães se tornaram o melhor amigo do ser humano. “Acho que definitivamente o estudo sugere que a receptividade deles aos nossos sinais sociais é algo que provavelmente foi selecionado durante o curso da domesticação”, complementou a Dra. Bray. “Isso é algo que evoluiu ao longo do tempo.”

Parece, portanto, muito provável que nossos ancestrais criaram cães altamente comunicativos, em parte para funções de trabalho como caça e pastoreio, que dependem do fato deles estarem altamente sintonizados com os comandos e comportamentos humanos.

Atualmente há menos demanda por cães de caça e pastoreio do que no passado, porém essa pesquisa ainda tem uma aplicação altamente valiosa, como poderemos ver a seguir.

Os filhotes testados foram criados pela Canine Companions para serem cães de serviço, ou seja, são cães treinados para ajudarem crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Depois de treinados, provavelmente apenas cerca de 50 a 60% desses cães serão bem-sucedidos em suas tarefas.

O fato de ter que se comunicar com humanos ser o cerne do trabalho desses cães de serviço, conseguir criar habilidades de comunicação poderá no futuro ajudar organizações com trabalho semelhante a esse a oferecer cães altamente comunicativos para pessoas necessitadas.

Em função da descoberta de que parte dessa característica de comunicabilidade é hereditária, a Dra. Bray e seus colegas pesquisadores tentarão desenvolver novas pesquisas procurando estabelecer exatamente como ela é herdada. Em quais genes essa característica está codificada.

Essa informação dará aos criadores de cães de serviço e animais de companhia uma capacidade muito maior de selecionar cães altamente comunicativos para reprodução.

E para nós, que já sabíamos que nossos cães adivinham nossos pensamentos, essa pesquisa só veio para reforçar nossa convicção. Não é mesmo?


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