O que é a tendência de decoração chinoiserie?

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Sala com Decoração Chinoiserie

O ponto de partida para o surgimento da decoração chinoiserie foram as expedições. Nos séculos XVII e XVIII, quando viajar pelo mundo era proibitivo para a maioria das pessoas pelo custo, quem tinha esse privilégio trazia de suas viagens objetos e obras de arte de seus destinos.

E, graças a uma rede global de rotas comerciais, muitas culturas foram ficando conhecidas pela primeira vez, não por meio de contatos presenciais, mas principalmente por meio das mercadorias que vendiam. Era dessa forma que a maioria das pessoas que não viajava tomava contato com as culturas dos cantos mais distantes do mundo.

A história da chinoiserie

Nessa época (séculos XVII e XVIII), na Europa, desenvolveu-se entre os formadores de opinião um fascínio avassalador pela cultura chinesa – particularmente pela porcelana chinesa –, o que alimentou uma imensa demanda por produtos do Leste Asiático, principalmente no campo das artes decorativas. O comércio europeu com a China floresceu consideravelmente em função das porcelanas chinesas.

Entre as principais exportações dos chineses para os mercados europeus estava a porcelana azul e branca. Embora a porcelana criada para exportação fosse geralmente de qualidade um pouco inferior quando comparada com os melhores trabalhos que os fornos chineses podiam produzir, era, no entanto, ideal para o comércio marítimo, pois era resistente e não era afetada pela umidade do mar.

As imagens encontradas em esmalte azul em porcelana importada forneciam as únicas representações disponíveis da China para a maioria das pessoas que não tinham acesso às viagens intercontinentais. Esse fato influenciou cada vez mais as impressões europeias sobre a China, na medida em que figuras humanas e paisagens foram introduzidas nos padrões de porcelana, em grande parte devido à demanda dos mercados europeus.

Foram essas imagens que “contavam histórias” que inspiraram os primeiros padrões de chinoiserie. Mas antes que isso pudesse acontecer, os ceramistas europeus precisariam desvendar o segredo de como fazer porcelana.

Como a chinoiserie mudou a indústria europeia

Esse movimento e interesse por porcelanas chinesas fez com que os fabricantes europeus buscassem aprender as técnicas chinesas e para produzir objetos com designs imitando os originais do país oriental.

Os oleiros na Europa tentavam replicar a porcelana chinesa desde a época de Marco Polo e, embora alguns sucessos moderados tenham sido alcançados, como a Porcelana Medici do final do século XVI, ninguém conseguiu uma replicação perfeita do produto chinês. Eles alcançaram esse objetivo apenas no século XVIII.

Possivelmente, a contribuição mais importante para os esforços europeus na produção de porcelana veio no ano de 1712, quando um padre jesuíta francês servindo na China, Père François Xavier d’Entrecolles, escreveu cartas detalhando o método que ele havia testemunhado para produzir a porcelana chinesa, um processo que havia sido até então mantido em segredo de todos os estrangeiros.


Então, começou a concorrência

Uma vez que os fornos europeus foram capazes de produzir a verdadeira porcelana chinesa, começou a batalha pelo controle dos mercados europeus.

Os primeiros padrões de chinoiserie foram criados para tornar a porcelana europeia o mais próxima possível das importações mais populares, aumentando a diversidade de padrões disponíveis, para com isso atrair mais compradores.

No entanto, as ilustrações das réplicas europeias foram criadas por artistas praticamente sem conhecimento da cultura chinesa. Eles então, simplesmente repetiram os desenhos encontrados em porcelanas importadas ou, mais frequentemente, extraíram de sua própria imaginação.

Esses produtos copiados, que iam de móveis a têxteis e belas artes, apresentavam materiais chineses (ou imitações deles), como porcelana e laca, além de motivos chineses, como pagodes, dragões e a flora chinesa, imaginados através das lentes ocidentais altamente fantásticas. No entanto, eles foram feitos especificamente para combinar com o gosto europeu, em vez de respeitar os originais chineses.

“A chinoiserie foi originalmente parte de um desejo de novidade e alteridade no design europeu, que há muito seguia as regras do classicismo e do design barroco. Culturas recém-descobertas com materiais totalmente novos, como porcelana e laca, naturalmente causaram um impacto sensacional”, afirma o Dr. Aldous Bertram, designer de interiores com doutorado em chinoiserie pela Universidade de Cambridge e autor do livro “Dragons & Pagodas: A Celebration of Chinoiserie” (Dragões e Pagodes: uma celebração da chinoiserie).

Os estilo Chinês caiu no gosto dos europeus

Enquanto o gosto europeu por produtos chineses cresceu organicamente na Europa à medida que os comerciantes os disponibilizavam, o marco na popularidade da chinoiserie foi quando o rei Luís XIV da França construiu o Trianon de Porcelaine – uma estrutura de cinco pavilhões enfeitada com azulejos azuis e brancos – nos terrenos do Palácio de Versalhes em 1671.

Tendo sido sempre um criador de tendências, o gosto de Luís XIV por chinoiserie, que incluía moda de estilo chinês, rapidamente se espalhou pelas cortes europeias, tornando-se um estilo de design bastante popular no século XVIII.

Entretanto, no século XIX a chinoiserie saiu de moda, em parte devido à Primeira Guerra do Ópio entre a China e a Grã-Bretanha, em parte devido ao surgimento de outras estéticas “exóticas”, como o Japonismo, Egyptian Revival (arquitetura neoegípcia) e Moorish Revival (estilo neoislâmico).

A chinoiserie, somente retornou na década de 1930 durante o período Art Deco, voltando a ficar popular até hoje.

Então a chinoiserie não é realmente chinesa?

Na realidade não! Trata-se de uma invenção inteiramente europeia. “A chinoiserie difere do autêntico design do leste asiático em quase todos os aspectos imagináveis”, afirma o Dr. Bertram.

A chinoiserie é um exemplo perfeito de um estilo de design verdadeiramente global. Ao contrário do que as representações extravagantes inspiradas na China podem sugerir, conforme já explicamos, a chinoiserie não se originou na Ásia, mas na Europa.

A palavra em si foi criada na França (deriva de “chinois”, a palavra francesa para “chinês”). Mas, apesar da natureza irônica da ideia e de seu nome, a chinoiserie provou ser uma tendência duradoura, principalmente quando combinada com toile (pano), outro motivo francês em papel de parede e estofados.

E como toda tendência de design, os primórdios da chinoiserie refletem o tempo, o lugar e o clima de sua origem. Para a chinoiserie, a história de sua criação envolve um fascínio duradouro pela cerâmica chinesa, mudanças drásticas na monarquia francesa e o surgimento de uma estética de design internacional.

Mas isso é uma apropriação cultural?

Depende do ponto de vista de como vemos esse movimento. De uma perspectiva histórica, o fascínio europeu pelo design chinês era simplesmente um interesse pelo mistério, a chinoiserie era uma sedução pelo desconhecido, um forte senso de curiosidade durante uma era de poucas viagens de longas distâncias.

Na verdade o tema “apropriação cultural” sempre foi muito discutido ao longo da história da arte e do design. “Certamente existem elementos de apropriação cultural na chinoiserie, mas não mais do que o fascínio do período regencial pelo Egito, defendido por Napoleão, ou a adoção consistente da arquitetura romana grega e imperial romana em suas igrejas e tribunais”, afirma o Dr. Bertram. “Em todos esses casos, a intenção não é ridicularizar ou degradar, mas imitar e celebrar uma cultura distante, permitindo que ideias antigas e novas se polinizem por toda a moda mundial”, conclui o designer de interiores.

Entretanto, já nos séculos XVII e XVIII havia alguns críticos que ridicularizaram a chinoiserie, não apenas por ser um estilo caótico e hedonista, mas também por potencialmente ridicularizar a arte e o design chineses. Essas críticas continuam atualmente, agora com uma perspectiva contemporânea.

O que caracteriza a chinoiserie?

As tendências de design são cíclicas, e o que é ultrapassado muitas vezes se torna atual novamente. À medida que avançamos para uma era de design maximalista, alguns estilos clássicos, como chinoiserie, estão voltando aos holofotes.

Os estilos “vovó chique” estão tendo o seu momento, e a chinoiserie é uma tendência interessante que representa muito bem esses estilos. Isso porque ela traz, em seus objetos de decoração pequenas cenas que contam uma história, com movimento e profundidade, muitas vezes bem coloridas e que realmente envolvem o olhar das pessoas.

O que atrai as pessoas pela estética chinoiserie é que ela é ousada, exótica, fantástica, feminina e maximalista. O visual chique chinoiserie apresenta camadas de padrões, cores, texturas e acessórios coletados para um design tradicional que encanta pelo capricho e a ousadia.

Como decorar uma casa em estilo chinoiserie

No entanto, como em todos os interiores decorados com estilos maximalistas, um pouco de controle ajuda bastante. Ao integrar o antigo e o novo, é preciso equilíbrio um ambiente. Os ambientes devem ser clássicos e atemporais.

A combinação de chinoiserie com elementos mais modernos, como paredes lacadas em uma cor brilhante e inesperada, móveis contemporâneos e iluminação que combina o tradicional em uma estética moderna e fresca.

Use a decoração com caraterísticas da cultura chinesa

A chinoiserie se caracteriza por alguns motivos-chave, os mais populares são:

  • Figuras chinesas;
  • Paisagens fantásticas;
  • Animais ferozes e fantasiosos;
  • Pagodes;
  • Florais românticos.

Esses motivos estão em tecidos, papéis de parede, móveis, acessórios decorativos, iluminação e obras-de-arte.

Ambiente em Estilo Chinoiserie

Acrescente uma textura rica

Um importante componente de decoração do interior da chinoiserie, que é fácil de observar, é o uso de textura rica. Do alto polimento de um armário lacado a um tapete de juta grossa e couro amanteigado a veludo sedoso, as camadas de texturas variadas adicionam a um ambiente a sensação de um espaço chinoiserie de maneira sutil, mas poderosa. Cria interesse sensorial, envolvendo os olhos e o toque.

Use cores intensas

Não há uma paleta de cores específica que caracterize a decoração chique chinoiserie, embora o azul e o branco sejam os mais usuais. É o uso de explosões brilhantes de cores intensas que distinguem esse estilo de decoração. Os interiores chinoiserie chiques costumam ser luminosos e arejados, com toques de cores vibrantes ou combinações intensas de cores contrastantes.

Muitas vezes as escolhas de cores parecem inesperadas, como a mistura de turquesa e vermelho cereja. Outras explosões de cores favoritas da decoração chique chinoiserie: verde-azulado de pavão, verde ácido, laranja queimado, rosa chiclete e verde limão. Então, não hesite ao usar cores fortes, pinte um baú com uma cor vibrante, tenha almofadas brilhantes ou colecione outros itens que sejam extravagantes.

Vasos Chinoiserie

Considere o azul e branco como essencial

É quase impossível encontrar um ambiente chinoiserie que não tenha pelo menos uma peça de porcelana azul e branca entre os objetos de decoração.

Essas cerâmicas icônicas são chiques e fáceis de decorar porque o azul e o branco são um contraste direto que pode combinar com qualquer coisa. Você tem um pote de biscoitos, uma tigela, uma bomboniere, ou qualquer outro objeto assim? Então observe como esses detalhes decorativos adicionam charme e elegância descontraída a qualquer ambiente onde estejam.

Seja maximalista

A chinoiserie chique e maximalismo andam de mãos dadas, isso porque ambos se baseiam em camadas. Camadas de padrões, texturas, cores e coleções decorativas. Dessa forma, há uma sensação de abundância e exuberância quando o maximalismo faz uso da tendência chinoiserie que funciona muito bem.


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