Entenda porque o sabão pode diminuir muito a propagação de vírus

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Infelizmente, todos nós já experimentamos o dissabor de ser atacado por um vírus, nem que tenha sido uma gripe. Sintomas como febre, congestão nasal, tosse e dor de garganta se espalham facilmente entre várias pessoas que frequentam os locais de trabalho, escolas e moradias de outras pessoas que estejam infectadas.

A pandemia mundial de coronavírus mostrou a gravidade do problema que um vírus pode causar, mesmo para quem nunca havia percebido isso. Várias doenças são causadas ​​por vírus, assim como muitos deles são responsáveis ​​por efeitos colaterais que podem provocar doenças graves.


Saiba porque o sabonete natural ajuda a diminuir a propagação de vírus

Como nossas mãos estão sempre em contato com outras pessoas, objetos e nós mesmos, não é de admirar que manter a higiene das mãos seja um ponto importante quando se trata de prevenir a propagação de germes – entre eles os vírus – portadores de doenças.

A simples ação de de lavar as mãos depois de entrar em contato com pessoas ou objetos que possam estar contaminados pode salvar muitas vidas ou, no mínimo, evitar muitos sintomas de doenças que atrapalham nosso dia a dia.

Talvez você nunca tenha associado o sabão natural como uma arma letal aos inimigos de nossa saúde, mas é isso mesmo, os vírus não têm vez contra ele. De acordo com Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano, para uma boa higiene das mãos, tudo o que você precisa é de água e sabão.

Porque então as pessoas procuram tanto por desinfetantes para as mãos?

Infelizmente, talvez por total desinformação, ou pelo bombardeio midiático das grandes empresas fabricantes de desinfetantes, muitas pessoas adoram estocar em suas casas desinfetante para as mãos.

O CDC norte-americano esclarece nesse artigo que, embora os desinfetantes para as mãos que contenham em sua fórmula mais de 60% de álcool possam ser uma boa opção para higienização quando você não tiver acesso a uma pia com água e sabão, para combater vírus respiratórios, como o novo coronavírus, a gripe e o resfriado comum, o simples e tradicional sabão tende a ser ainda mais eficaz do que qualquer desinfetante para as mãos.

Afinal, porque o sabão natural é mais eficiente para combater os vírus?

O sabão natural (sabonete) combinado com água corrente é de longe a melhor maneira de eliminar os germes de nossas mãos, isso acontece porque as próprias moléculas de sabão são muito eficazes na destruição das membranas superficiais de algumas bactérias e vírus, incluindo o novo coronavírus.

Além disso, esfregar uma mão na outra com vigor sob água corrente, cria uma fricção que ajuda a remover toda a sujeira, graxa e micróbios.

Em um artigo publicado no The Guardian sobre o coronavírus, o professor de química da University of New South Wales, de Sydney, Austrália, Pall Thordarson afirmou: “Você não consegue, nem por um milhão de dólares, obter um medicamento para o coronavírus, entretanto a barra de sabão da sua avó mata esse vírus”.

Nesse mesmo artigo o professor também afirmou que “Os vírus podem permanecer ativos fora do corpo humano por horas, até dias. Desinfetantes, líquidos, toalhetes, géis e cremes contendo álcool são úteis para se livrar deles, mas não são tão eficientes quanto o sabão normal. O sabão não leva simplesmente os vírus pelo ralo, o sabão os destrói”. 

Ao justificar uma regra sobre segurança e eficácia de sabonetes antibacterianos emitida pela agência norte-americana FDA, a diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da agência, Janet Woodcock afirmou: “Os consumidores podem pensar que as lavagens antibacterianas são mais eficazes na prevenção da propagação de germes, mas não temos evidências científicas de que sejam melhores do que água e sabão comum. Na verdade, alguns dados sugerem que ingredientes antibacterianos podem fazer mais mal do que bem a longo prazo”.

Sugerimos também a leitura do texto “Você sabia que produtos antibacterianos podem fazer mais mal do que bem?”, que publicamos aqui no blog onde explicamos detalhadamente o que motivou essa afirmação feita pela diretora da FDA. Resumidamente, os produtos antibacterianos podem matar todos os germes, e existem germes que são benéficos para nosso organismo.

Para entender porque lavar as mãos com sabão natural simples funciona para destruir um vírus, precisamos entender o que é um vírus.

O que é um vírus?

Os vírus existem em todos os lugares do planeta, eles podem infectar animais, plantas, fungos e até bactérias. Podem causar uma variedade enorme de doenças em humanos. São micróbios infecciosos muito pequenos e de estrutura molecular simples. Eles são muito menores que as bactérias e não podem ser vistos com um microscópio comum.

Os vírus não podem fazer muita coisa por conta própria, pois não são compostos por células. Eles não crescem, não podem produzir sua própria energia e nem mesmo se replicam por conta própria. São basicamente pequenos pacotes de material genético (ácido nucleico) e proteína.

Os vírus sempre precisam de um hospedeiro, um organismo vivo para obter tudo o que precisam para sobreviver e se alimentar. Eles literalmente sequestram uma célula hospedeira e usam sua estrutura para gerar muitos outros vírus que são cópias de si mesmo. O vírus faz tantas cópias de si mesmo que a célula hospedeira pode estourar e liberar essas cópias, conhecidas como vírions.

É dessa forma que um vírus minúsculo e dependente de outro organismo pode se transformar em muitos vírus e nos deixar doentes.

Os vírus também podem causar problemas significativos se migrarem de uma espécie hospedeira para outro. Por exemplo, alguns vírus afetam apenas um tipo de hospedeiro, como um morcego. Se um vírus que normalmente afeta morcegos infectar um humano, ele pode, a partir de algum DNA humano, produzir um novo tipo de vírus que pode ter maior probabilidade de afetar os humanos no futuro.

É por esse motivo que os cientistas se preocupam tanto com os novos vírus que se espalham de animais para pessoas, afinal não se sabe nada sobre eles inicialmente e podem se tornar vírus que não eram letais para morcegos, em vírus letais para humanos.

Embora não sejam considerados criaturas vivas, os vírus têm algumas características em comum com a vida baseada em células. Eles têm um código genético como as células de todos os seres vivos, que podem se replicar em hospedeiros, podem se adaptar ao ambiente, sofrer variação genética e ainda evoluir ou se modificar ao longo do tempo. É por isso que é difícil criar vacinas permanentemente eficientes, a vacina da gripe, por exemplo, precisa ser renovada a cada ano.

Alguns vírus inclusive podem até hibernar dentro das células hospedeiras por vários anos antes de se reproduzir e provocar sintomas em seu hospedeiro.

Entender mais sobre esse assunto é muito complexo e exige muito estudo, essa é uma explicação básica para você entender melhor sobre a estrutura que estamos enfrentando.

Os vírus permanecem no ambiente o tempo todo, apenas esperando que o hospedeiro e a célula hospedeira certos apareçam para ele atacar. Eles podem entrar em nossos corpos pelo nariz, boca, olhos ou machucados.

Vários dos sintomas que surgem quando eles conseguem nos infectar na verdade são consequência da guerra que nosso sistema imunológico está travando contra eles. A febre é um desses sintomas.



Os vírus respiratórios, como a gripe, o resfriado comum e o coronavírus, além de infectarem através de espirros, respiração e gotículas de saliva, também se espalham facilmente através das mãos.

Quando pessoas infectadas tocam partículas virais em suas mucosas ou na saliva, essas partículas grudam em suas mãos. Essas pessoas então apertam as mãos de outras pessoas, ou tocam em outras pessoas ou em objetos, deixando-os contaminados por um certo período de tempo.

Nesse caso, nossas mãos contaminadas serão o vetor para também nos contaminar. Ao tocarmos em uma maçaneta com uma gotícula de vírus, o vírus gruda nas nossas mãos, se após isso tocarmos em nosso próprio rosto, especialmente no nariz, olhos ou na boca, poderemos estar nos infectando.

Observe quantas vezes você toca seu próprio rosto. A maioria das pessoas toca seu próprio rosto uma vez a cada dois a cinco minutos. Por isso que nossas mãos devem ser nossa linha de frente de defesa na guerra contra a transmissão do vírus e não quem nos contamina.

Como o sabão funciona contra os vírus?

O motivo do sabão eliminar os vírus tem tudo a ver com ciência. As moléculas de sabão, pela sua composição, agem separando a sujeira oleosa. Esse processo funciona de forma semelhante para um vírus. O professor Pall Thordarson que já citamos acima denomina os vírus de “bolas de graxa de tamanho nano”. E destruir bolinhas de gordura é o objetivo do sabão.

Uma molécula de sabão é dividida em duas partes, uma parte é apolar (semelhante à gordura e ao óleo) e a outra parte é polar (como a água). A polar, por ser hidrofílica se liga à água, a apolar, ​​que é hidrofóbica, prefere interagir com o óleo e a gordura.

Na medida em que lavamos nossas mãos, o lado hidrofóbico da molécula do sabão, que é atraído por gorduras e óleos, penetra no envelope gorduroso do vírus e literalmente o separa, suas partes, agora inofensivas, são levadas pelo ralo juntamente com as bolhas e a espuma do sabão.

Se você já tentou lavar uma louça engordurada sem sabão já observou que é muito difícil removê-la certo? Com sabão tudo fica mais fácil. Da mesma forma o sabão age sobre os vírus.

Ainda segundo o professor Thordarson, “O sabão é quase como uma equipe de demolição derrubando um prédio e tirando todos os tijolos”. A questão é que pode demorar um pouco para essa demolição acontecer, por isso o CDC recomenda lavar as mãos com água e sabão por, pelos menos, cerca de 20 segundos.

Conseguimos esclarecer porque a melhor maneira de evitar a propagação de doenças infecciosas é lavar as mãos com frequência e com sabão?

Você precisa esfregar, formar bolhas e esfregar um pouco mais. Nossa pele é enrugada e leva tempo para o sabão penetrar em todas as pequenas fendas e destruir os vírus que se escondem nas dobras cutâneas.

Certifique-se também de esfregar e ensaboar as costas das mãos, entre os dedos e sob as unhas. Toda essa lavagem manual também cria fricção que ajuda a lavar a sujeira, a graxa e os germes sob água corrente. Ensine seus filhos a forma certa de lavar as mãos e incentive-os a fazer isso.


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