Você sabia que produtos antibacterianos podem fazer mais mal do que bem?

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Quando você vai comprar sabonete em barra, sabonete líquido ou outros produtos de limpeza domésticos, você procura produtos rotulados como “antibacterianos”?

É compreensível que as pessoas, especialmente as que têm crianças em casa, prefiram comprar produtos identificados como antibacterianos, elas o fazem na esperança de manter sua família segura na guerra contra os germes. Mas será que estão fazendo a coisa certa?


Precisamos usar sabonetes antibacterianos?

Há tantos comerciais e anúncios que exaltam as virtudes de sabonetes e produtos de limpeza antibacterianos. Afinal, eles “matam 99,9% dos germes”, isso parece muito bom, certo? Afinal, todos nós queremos ter nossas mãos e superfícies que entramos em contato livres de germes e bactérias.

No entanto, segundo um estudo desenvolvido pela FDA (Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) os antissépticos comercializados em massa não mostraram evidências de prevenir infecções de forma mais eficaz do que simplesmente lavar as mãos com sabonete comum.

Ainda segundo o estudo, os consumidores podem pensar que as lavagens antibacterianas são mais eficazes na prevenção da propagação de germes, entretanto não existem evidências científicas de que sejam melhores do que água e sabão comum. Pelo contrário, na realidade, alguns dados levantados sugerem que ingredientes antibacterianos podem fazer mais mal do que bem se utilizados amplamente ao longo do tempo.

Portanto, a conclusão do estudo da FDA sugere que adicionar produtos químicos antibacterianos ao sabão não protege contra germes e bactérias.

Ainda no ano de 2013, a FDA emitiu uma nota propondo que os fabricantes de sabonetes antibacterianos para as mãos e sabonetes líquidos antibacterianos para o corpo provassem que seus produtos eram mais eficazes do que o sabonete comum e eram seguros para uso a longo prazo. A prova nunca chegou até a agência.

Com base nessa falta de resposta, em 2 de setembro de 2106, a FDA emitiu uma regra proibindo o uso de 19 ingredientes ativos nos produtos antibacterianos, entre eles o triclosan e triclocarban, que eram utilizados em sabonetes antibacterianos para as mãos e o corpo. As empresas americanas tiveram até setembro de 2017 para retirar esses ingredientes de seus produtos, ou retirá-los do mercado.

No Brasil nunca houve estudo ou proibição desses ingredientes, portanto, se um produto comercializado faz qualquer alegação antibacteriana ou antisséptica, é muito provável que ele contenha algum desses 19 ingredientes.

Além disso, essa proibição norte americana se aplicou apenas para produtos para lavagem das mãos e do corpo – ou seja, produtos que são “destinados ao uso com água e são enxaguados após o uso”.

O problema é que existem muitos outros produtos, incluindo cosméticos, cremes de barbear, creme dental, desodorantes, protetor labial, loção corporal, fragrâncias, produtos de limpeza domésticos, esponjas e até lenços faciais, que ainda podem usar produtos químicos antibacterianos apesar da proibição. Inúmeros outros produtos ainda contêm triclosan, apesar da proibição de lavagens das mãos e do corpo.

A proibição também não afeta os sabonetes antibacterianos usados ​​em hospitais e serviços de alimentação ou os desinfetantes para as mãos e lenços umedecidos que estão presentes em nossa rotina diária.

Além disso, embora a maioria das bactérias que entramos em contato todos os dias não seja nossa inimiga, milhões de pessoas continuam comprando produtos antibacterianos, e contanto que os consumidores os desejem, a indústria descobrirá uma maneira de continuar a fornecê-los.

Nem todas as bactérias são germes

A palavra germe não é um termo técnico, mas a usamos para referenciar organismos microscópicos, como bactérias e vírus, que causam doenças. O problema é que muitas vezes pensamos que todas as bactérias são germes causadores de doenças, mas nada poderia estar mais longe da verdade.

A maioria das bactérias que vivem em nossos corpos não são apenas úteis, mas também são necessárias para nossa boa saúde. Infelizmente, a crença generalizada de que ter bactérias em nossa pele é prejudicial ao nosso organismo, alimenta nossa obsessão por adquirir e usar produtos antibacterianos indistintamente.

Muitas pessoas, principalmente profissionais de saúde, conhecem a importância do microbioma natural em nosso intestino, necessário para uma boa digestão e saúde geral. Da mesma forma, o microbioma em nossa pele é muito importante, conforme já explicamos no texto “Por que a saúde da pele é importante para manter o sistema imunológico fortalecido?”.

No texto acima detalhamos como as bactérias naturais que vivem em nossa pele atuam como a primeira linha de defesa para ajudar a combater as bactérias ruins.

Para que essa defesa funcione eficientemente, as bactérias boas precisam permanecer em nossa pele. Infelizmente, os agentes antibacterianos não discriminam entre bactérias boas e ruins, eles eliminam todas elas.

Por esse motivo, uma possível causa do aumento de doenças inflamatórias da pele, como o eczema, pode ser o desequilíbrio das bactérias normais e benéficas existentes na nossa pele.

Vírus não são bactérias

Embora os agentes antibacterianos funcionem atacando as bactérias, eles não fazem nada para proteger contra os vírus que causam a maioria das doenças comuns, como os resfriados e as gripes.

Além disso, os sabonetes antibacterianos eliminam as bactérias úteis que ajudam a manter o equilíbrio do nosso microbioma. Como resultado de seu uso, infecções fúngicas e virais possivelmente aumentam. Isso ocorre porque as bactérias naturais, que são eliminadas pelos produtos antibacterianos, presentes em nossa pele competem por espaço com bactérias, fungos e vírus ruins para manter nosso microbioma saudável.

Outra coisa que os comerciais de antibacterianos não dizem é que, para que um sabonete antibacteriano mate 99,9% dos germes das mãos, ele deve permanecer em contato com as bactérias por cerca de dois minutos. Praticamente ninguém fica tanto tempo lavando as mãos. O mesmo vale para produtos de limpeza de cozinha, o detergente deve ficar em contato com a superfície por, pelo menos, dois minutos.

Produtos antibacterianos criaram as superbactérias

Os cientistas já constataram que a exposição prolongada a agentes químicos antibacterianos causa resistência bacteriana. Apenas alguns anos após o primeiro antibiótico ser desenvolvido, a penicilina, ter se tornado amplamente utilizada na década de 1940, infecções resistentes à penicilina já eram registradas.

As “Superbactérias” são mais fortes que as bactérias originais e, consequentemente, essas bactérias resistentes forçam o desenvolvimento de agentes antibacterianos cada vez mais fortes para combater doenças. O final desse ciclo é fácil de imaginar, não é mesmo?

Impacto ecológico causado pelos produtos antibacterianos

Na medida que os agentes antibacterianos contidos nos produtos de limpeza são levados pelos ralos, após o seu uso, eles vão contaminando os rios, córregos e águas subterrâneas.

Um estudo feito no ano de 2004 pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), descobriu que “cerca de três quartos dos adultos e crianças com mais de seis anos tinham níveis detectáveis ​​de triclosan (agente antisséptico efetivo contra bactérias gram-negativas, bem como gram-positiva usado em cosméticos industrializados) em suas correntes sanguíneas”.

Um outro estudo em Perspectivas de Saúde Ambiental encontrou triclosan em 74,6% das amostras de urina de voluntários e o triclosan foi encontrado em 97% das amostras de leite materno estudadas.

Isso acontece porque todas as substâncias que descartamos através do nosso esgoto, eventualmente, acabam retornando para nós, ou para outras pessoas. A maioria dos processos de tratamento modernos não pode filtrar totalmente o triclosan. Na realidade, o processo de tratamento de efluentes geralmente decompõe o triclosan em formas ainda mais perigosas.

Germes e sujeira ajudam a construir o sistema imunológico

Criou-se uma cultura na maioria da população de que para ter cuidado com a pele é preciso evitar germes. Isso virou uma obsessão, essas pessoas estão convencidas de que ficar sujo é perigoso.

Entretanto, contrariando essa cultura, os profissionais de saúde até recomendam a exposição a uma variedade de bactérias. Isso não é apenas seguro, mas também é essencial para a saúde e o desenvolvimento da imunidade humana.

Para o nosso sistema imunológico se tornar forte e eficiente, ele precisa de treinamento e prática, e os ambientes completamente assépticos negam essa oportunidade de exposição às bactérias.



O que posso usar para limpar as mãos?

Um estudo publicado no Journal of Antimicrobial Chemotherapy (revista médica revisada por pares ligada à Universidade de Oxford) descobriu que os sabonetes antibacterianos não oferecem nenhum benefício em relação à lavagem das mãos com água e sabonetes ou sabões comuns e naturais.

Por não haver nenhuma comprovação científica de eficiência, o CDC recomenda lavar as mãos com água e sabão natural sempre que possível. Isso porque a simples lavagem das mãos reduz a quantidade de todos os tipos de germes e produtos químicos nas mãos. Essa orientação para a lavagem eficaz das mãos foi baseada em dados de vários estudos.

Simplesmente lavar as mãos com água e o sabão natural tradicional livra nossa pele da maioria dos fungos, bactérias e vírus. O sabão não mata os germes, ele os envolve e os leva embora do nosso corpo.

Ainda segundo o CDC, a melhor maneira de evitar a propagação de doenças é lavar as mãos com frequência. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos, esfregando bem e ensaboando as costas das mãos, entre os dedos e sob as unhas.

Embora a água fria funcione nessa lavagem, a água morna ajuda a dissolver a sujeira oleosa, facilitando a sua remoção da pele. Sabonetes produzidos com ingredientes naturais são uma ótima opção para limpar naturalmente as mãos e o corpo.

Em uma emergência, que você não tenha água e sabão disponíveis e precisa limpar suas mãos, você pode usar álcool 70º para limpá-las, mas certifique-se de ler os ingredientes na embalagem, pois alguns desinfetantes à base de álcool contêm agentes antibacterianos.

O que posso usar para limpar a casa?

Para uso doméstico, utilize os produtos de limpeza simples, comuns e tradicionais, como o vinagre, o vinagre é um excelente produto de limpeza e muito versátil. Você pode acrescentar a ele óleos essenciais para deixar a casa aromatizada e limpa, como tomilho, lavanda, orégano e alecrim.

O vinagre não é tóxico, é biodegradável, eco friendly (amigo do meio ambiente) e não deixa resíduos perigosos. Além disso, seu odor forte se dissipa rapidamente após a limpeza, pela evaporação.


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