Porque produtos com fragrâncias sintéticas são mais populares que os óleos essenciais?

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Muitas marcas de cuidados com a pele e cabelos são questionadas pelos consumidores porque seus produtos têm um valor mais elevado do que os produtos mais populares produzidos por grandes indústrias.

Existem muitas explicações para isso, mas nesse texto vamos nos ater a apenas um desses motivos, que é o custo de um ingrediente essencial em praticamente todos os produtos de higiene, o aroma. O custo de aromatizar um produto natural é muito superior ao custo de aromatizar com ingredientes químicos.

Entretanto, se você for pesquisar um pouco vai descobrir que os óleos perfumados que são feitos de compostos sintéticos para as grandes indústrias não têm nenhum valor aromaterapêutico.


Então, por que eles são tão populares? Talvez a principal resposta seja porque são mais baratos que os óleos essenciais naturais. Ou talvez seja porque eles têm aromas consistentes, mantendo seu aroma por um longo período de tempo, oferecem maior variedade de perfumes e sejam mais fáceis de fabricar.

Mas a questão que fica é se muitas pessoas acabam comprando produtos sintéticos por desinformação mesmo e, com isso, acabam usando um produto que não é para aquele fim que imaginaram.

Muitos pesquisadores desenvolveram para grandes empresas fragrância idênticos aos encontrados na natureza que não têm absolutamente nenhum valor aromaterapêutico, mas que têm um cheiro maravilhoso.

No entanto, a única utilidade dessas fragrâncias sintéticas é perfumar produtos de limpeza industrializados, aromatizadores de ambiente ou outros usos que se queira simular um bom aroma natural, ou algum aroma artificial sem correspondente na natureza que seja agradável. Seus benefícios não vão além disso.

Produzir os óleos essenciais naturais têm um custo muito mais elevado do que as fragrâncias sintéticas. Um mesmo aroma chega a custar até 100 vezes mais para conseguir extrair o óleo essencial de uma planta em relação ao produto químico das grandes indústrias.

Isso acontece porque os métodos usados ​​para extrair óleos essenciais puros são demorados, caros e exigem um alto grau de especialização. Por exemplo, são necessários mais de 220 quilos de pétalas de rosa para produzir apenas 4 ou 5 colheres de chá de óleo essencial de rosa. São necessários cerca de 11 quilos de flores frescas de lavanda para produzir 2 colheres de sopa de óleo essencial de lavanda.

Além do baixo custo, as fragrâncias artificiais têm ainda um outro diferencial em relação aos óleos naturais, que é sua uniformidade. É inegável que os aromas dos produtos de higiene das grandes multinacionais têm cheiros maravilhosos e são sempre os mesmos, independente do produto em que são aplicados.

Muitos consumidores esperam esse tipo de repetição nas fragrâncias criadas pela indústria de cosméticos e produtos de limpeza.

No entanto, a produção dos óleos essenciais naturais é mais parecida com a produção do vinho. As uvas utilizadas em vinhos variam de região para região. O clima e a altitude também influenciam no sabor da uva, assim como os vinhos produzidos em regiões mais quentes e secas têm um sabor diferente dos vinhos produzidos em regiões mais frias e altas. Mesmo as condições climáticas anuais de uma região, como chuva e temperatura, afetam o sabor da uva e, portanto, o mesmo vinho que é produzido em um ano é diferente do produzido no ano anterior.

Assim como as uvas fazem diferença para o vinho, a qualidade e o aroma dos óleos essenciais são afetados pelas condições climáticas anuais e variam de safra para safra e de região para região. Os aromas podem variar um pouco entre óleos essenciais de uma mesma planta, mas isso não significa que um deles seja ruim, apenas que ele é o resultado de uma soma de fatores diferentes.



Algumas vezes as empresas que produzem produtos naturais são questionadas por clientes por que seu sabonete, creme, ou shampoo favorito não tem exatamente o mesmo aroma da última compra. Mas isso em geral não tem um tom de reclamação, apenas de curiosidade mesmo.

Provavelmente esse seja outro motivo que leva grandes empresas, além do custo de produção é claro, a optar por óleos perfumados artificialmente, fazem isso para manter seus aromas uniformes e conhecidos já antes da compra.

Além disso, se você fosse um fabricante e tivesse que colocar seu produto em uma prateleira de loja ou supermercado e deixá-lo lá por alguns anos, qual você usaria? As fragrâncias sintéticas são fortes, não se decompõem facilmente e duram muito tempo.

Por outro lado, os óleos essenciais, como qualquer material vegetal natural, degradam-se com o tempo, perdem a potência e, eventualmente, o seu aroma. É mais um risco para os pequenos produtores assumirem, produzir produtos com mais qualidade e, portanto mais caros e com prazo de validade menor.

Há ainda outra diferença, o volume de opções de aromas diferente. Os óleos essenciais são óleos aromáticos naturais extraídos a partir de cascas, flores, ervas, especiarias e folhas que possibilitem essa extração.

Embora aromas como o do pepino, melancia, framboesa, melão, morango, maçã ou pêssego existam na natureza, eles não contêm óleos aromáticos que possam ser extraídos. Existem também alguns aromas florais, como lírio e lilás, que não podem ser extraídos das flores.

No entanto, esses aromas podem ser fabricados totalmente sintéticos ou a partir de uma combinação de óleos sintéticos e naturais, para imitar os aromas naturais que não podem ser retirados diretamente da natureza. Ao misturarmos aromas com óleos perfumados, obteremos combinações quase ilimitadas.

Tendo lido tudo até aqui, talvez você esteja se perguntando: Se fragrâncias são baratas e com aromas ilimitados, então porque não usá-las? É justamente ai que os problemas das fragrâncias aparecem.

Porque devemos evitar o uso de fragrâncias?

Além das fragrâncias não terem nenhum efeito aromaterapêutico por não conterem os ingredientes naturais que funcionam para melhorar as funções do nosso organismo, conforme já explicamos, elas trazem em suas fórmulas ingredientes potencialmente perigosos para nossa saúde.

Segundo especialistas, uma fragrância pode conter até 200 ingredientes. Isso mesmo, até 200 ingredientes químicos diferentes. E o agravante é que não temos como saber quais são.

Os aromas artificias não precisam descrever seus componentes, são segredos de fábrica. Nunca saberemos exatamente o que compõe um aroma, quais as misturas de ingredientes feitas para chegar naquele cheiro. Se tem ingredientes naturais ou artificiais, que fixador foi usado para fazer o perfume durar, se tem ingredientes danosos a saúde ou ao meio ambiente. Enfim, fragrâncias são verdadeiras “caixas pretas”.

Os aromas podem ser ótimos, duradouros e mais acessíveis, mas são uma incógnita para quem está usado. Diferente disso, os óleos essenciais, que são feitos pela extração das plantas, são exatamente o que dizem ser, produtos naturais que precisaram de muita quantidade de matéria-prima para serem produzidos.

Se você chegou nesse texto com essa dúvida, do motivo dos produtos artificiais serem mais populares, com essa explicação esperamos ter esclarecido melhor.

Na realidade, como já explicamos aqui no blog em outras postagens, como no texto “O que tem no sabonete industrial e o que tem no sabonete natural?”, produtos naturais e artificiais são muito distintos e a escolha por um ou por outro não deve se basear apenas em seu preço final, mas principalmente na sua qualidade e nos benefícios proporcionados por um ou por outro.

Conclusão

É claro que muitas pessoas tomam sua decisão sobre qual produto comprar em função da sua condição financeira, outras estão mais preocupadas com sua saúde e, mesmo que não tenham uma condição financeira muito folgada, estabelecem prioridades sobre o que é mais importante na sua vida.

Isso é uma escolha pessoal, entretanto, se uma pessoa não quer apenas deixar um ambiente ou sua pele cheirosa, mas quer também usufruir dos benefícios proporcionados pela aromaterapia ou da ação de ingredientes naturais em seu corpo, ela vai acabar optando por produtos naturais.

A verdade é essa. Não adianta tentar utilizar um produto para um fim que, antecipadamente, sabemos que ele não serve, pois nesse caso cairemos naquele velho ditado “O barato sai caro!”.


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